segunda-feira, 17 de abril de 2017

Origem dos mochileiros

Origem e história da maneira mais sonhada de viajar:

Mochileiro da América
Selfie: Roberto Bessa
     Olá pessoal, essa semana vou trazer pra vocês a história da maneira mais mágica e antiga do mundo quando se fala em viagem, o mochilão! O mochilão em si começou muito antes de existirem as mochilas, sim, começou com os índios americanos (Incas, Astecas e Tupis entre outros) que não possuíam cavalos ou carroças, eles simplesmente carregavam pequenos objetos amarrados aos corpos e os maiores em cestos amarrados nas costas (o que faz lembrar uma mochila).
     A mochila (como a gente conhece) surgiu após a escravidão pois assim cada um tinha que carregar a própria tralha ou invés de mandar os outros carregarem. As primeiras pessoas a necessitarem da mochila, foram os soldados, principalmente os americanos, pois aqui nas Américas, os caminhos eram grandes, sem bases de apoio para seus suprimentos. Então sobrava para os soldados carregarem seus itens essenciais e para sua sobrevivência durante as jornadas. 
Asiáticos usando uns cestos semelhantes
aos cestos indígenas. Foto: Internet
Créditos na própria imagem
     Bom, depois do término das grandes guerras mundiais, os próprios soldados e ex-soldados perceberam que a mochila poderia ser usada em outras atividades que não eram ligadas ao exercito, tais como viagens, montanhismo e no próprio dia a dia para carregar objetos pessoais. Outras pessoas vendo o uso prático do equipamento, adotaram a mochila em suas vidas. Algumas mochilas do pós guerra acabaram com uso civis, popularizando cada vez mais a prática arte de viajar carregando o essencial.
     Nos anos 60, com a popularização do movimento Hippie, muitos jovens começaram a por a já conhecida mochila nas costas e se aventurar por esse mundão velho de meu Deus, difundindo ainda mais o estilo de vida dos mochileiros. Já na década seguinte, esses mesmos jovens não eram mais vistos da mesma maneira, pois eles tinham adquirido uma cultura jamais ensinada em escolas, eles agora eram poliglotas, eram experientes em relação aos "medrosos" que não encararam o mundo. Dois livros despertaram o interesse nos jovens da época e podem ser considerados os "manuais" dos mochileiros da época: Travel Guide Book & Across Asia, mas não vou me prender a descrever nenhum deles pois se houver interesse de vocês, basta fazer uma pesquisa na net. 
Soldados da Segunda Guerra e suas mochilas
Foto: Blog Rota Perdida (Internet)

     Mochileiros no Brasil:

     Infelizmente no Brasil quando você fala que é um mochileiro logo é associado à um pobretão, que não tem dinheiro para ir em lugares que gostaria e vai com a cara e a coragem e não vai ter onde dormir e nem o que comer a não ser que dependa de favores. Mas a verdade não é essa! Eu mesmo já sofri várias vezes esse pré conceito pois sou meio raiz quanto a esse tipo de viagem. O movimento mochileiro surgiu para que você encontre respostas para a vida, fazer novas amizades e lógico conhecer novas culturas, e isso nenhum pacote da CVC vai proporcionar aos viajantes.
     Outro pré conceito que os mochileiros enfrentam é quando dormem em Albergues, muitos associam albergues à abrigos de mendigos ou desabrigados, o que na verdade não é. Albergue é um meio barato de se hospedar e fazer novas amizades, de certa forma é uma maneira mais "liberta" de se hospedar! Mas esses pensamentos aos poucos estão sumindo na mente dos brasileiros, que estão conhecendo a arte de mochilar aos poucos. 
Mochila semi-cargueira - Foto: Roberto Bessa
     Resumindo, com um pacote de viagem, você certamente irá conhecer vários pontos turísticos e muito pouco da cultura de um lugar, em um hotel com todos os confortos, você nunca vai conhecer novos viajantes (de outras cidades e até países) como conhece dormindo em albergues. E a parte que eu mais gosto (e também quase ninguém entende) é que particularmente prefiro fazer 99% do meu roteiro de ônibus, onde também é possível conhecer pessoas viajantes de diversas localidades e conhecer cidades que certamente você passaria por cima se estivesse voando em um Boeing.
     Quase ia me esquecendo que em alguns países da Europa é bem comum viajar à pé por longos trechos, e existem bases que dão apoio para que o viajante pouse por ali para seguir viagens no dia seguinte. Esses pontos podem ser desde pessoas que cedem o quintal para que os viajantes montem suas barracas até os que oferecem o sofá para que eles passem a noite, além dos albergues também.
Mochileiros no Morro Açu durante a
travessia Petrópolis x Teresópolis
Foto: Roberto Bessa
     Enfim, a cultura mochileira vem ganhando cada vez mais espaço entre os viajantes, os albergues vem sendo cada vez mais conhecidos e novos roteiros sendo descobertos. Aos poucos o Brasil vai se adaptando a essa nova/antiga modalidade de viagem, as mentes vão se livrando dos pré conceitos e mochilar acaba sendo a arte cada vez mais admirada! Então, bora mochilar! Até a próxima!

Dicas:

O melhor planejamento é não planejar nada: Sim, só planeje mesmo o destino, depois faça amizades com outros viajantes no ônibus, no albergue, ou até mesmo nas ruas da cidade de destino.

Seja ousado: Sim, pergunte, conheça, endague mas sempre seja prudente ok.

Não tenha vergonha: Seja o mais cara de pau que você conseguir, se der, pegue carona, converse sobre tudo, pergunte sobre tudo, esqueça um pouco os aplicativos de celular e use a melhor ferramenta de busca, pergunte!
Mochileiro da América em uma viagem
à pé - Selfie: Roberto Bessa

Se livre da tecnologia por um tempo: Aplicativos de celular são bons, mas a melhor parte você vê com os olhos e não com a ponta dos dedos. Aplicativos podem dar uma ajuda, mas conhecer o que não é conhecido é o que realmente vai fazer sua viagem valer a pena. Lembre-se, nem tudo está nos aplicativos, tem lugares e coisas que somente as pessoas locais (pessoas simples e comuns) conhecem.

Fuja do comum: Sim, muitos vão para apenas os grandes centros, cidades conhecidas, mas as cidades menos divulgadas escondem por muitas vezes diversas culturas, atrações que as grandes não tem!

Fontes:

Blog: Rota Perdida